A freguesia de Campo de Ourique foi criada pela Lei 56/2012 que alterou a constituição das freguesias da cidade de Lisboa, e recebeu a denominação do bairro de Campo de Ourique. O bairro, antiga terra de quintas pertencentes a Campolide, projetado por Frederico Ressano Garcia, após a implantação da República em 1910, compreende o retângulo entre as ruas Ferreira Borges e Tomás de Anunciação, Campo de Ourique e Saraiva de Carvalho.

A freguesia de Campo de Ourique extravasa este antigo bairro da cidade, abrangendo as antigas freguesias de Santa Isabel e de Santo Condestável. Em 2% do território encontram-se 5% dos edifícios e 4% dos alojamentos, famílias e indivíduos o que lhe atribui o dobro da densidade da Cidade.

A freguesia de Campo de Ourique ocupa hoje a quase totalidade do território que em 1741 foi atribuído à então criada Freguesia de Santa Isabel. Esta Freguesia viria a ser desmembrada séculos mais tarde, em 1959, para dar origem à Freguesia de Santo Condestável.

Agora, com a reorganização administrativa da cidade de Lisboa, passa a existir apenas a Freguesia de Campo de Ourique.

Foi no bairro de Campo de Ourique que começou o movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910, de implantação da República.

Uma das ruas mais conhecidas é a Ferreira Borges, arborizada a fazer lembrar uma avenida. Aí, o edifício cor-de-rosa, cuja parede lateral se prolonga, pertence ao Quartel (que foi do Regimento dos Sapadores do Caminho-de-Ferro), muito modificado na sua traça original, fulcro do bairro, e a partir do qual se traçou o reticulado geométrico das ruas, bem planificadas.

Dois dos regimentos “históricos” que ocuparam o Quartel, o 4 de Infantaria e o de Infantaria 16, ficaram perpetuados em arruamentos. A estátua da Maria da Fonte foge a este cenário, representa a heroína popular, colocada no Jardim Teófilo Braga, vulgarmente conhecido por Jardim da Parada, por ter sido o antigo terreiro da parada do quartel.

Durante a Primeira República, consolidaram-se no Bairro as tradições republicanas e reivindicativas de Campo de Ourique – em 1914 ocorreram aqui diversas greves, protestos e outras manifestações populares, o primeiro desafio do movimento operário ao governo de Afonso Costa.

Durante a II Guerra Mundial, Campo de Ourique serviu de refúgio a muitos judeus e, mais tarde, em 1958 foi vivida com afã a campanha eleitoral de Humberto Delgado. De 1969 a 1973 a força da oposição centrava-se na freguesia, onde ficava a sede da CDE (Comissão Democrática Eleitoral).

Importantes foram também os cafés e os encontros de tertúlias que neles se realizaram – “Café Latino”, “A Tentadora”, “Ruacaná”, “O Canas”. Por outro lado aqui se sediaram movimentos patrióticos e republicanos, além de muitos nomes ligados à cultura e política portuguesa aqui terem morado ou participado em actos de relevo.

O nº 16 da Rua Coelho da Rocha acolheu Fernando Pessoa (o edifício foi remodelado e é hoje um espaço cultural, a Casa Fernando Pessoa); na Rua Almeida e Sousa habitou o matemático e democrata Bento Jesus Caraça.